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Frase exata   Todas as palavras    Alguma palavra

Caderno 2
Edição: 309
Data: 29/07/2009
Ponto de Vista - As baratas e a estatística que me convém
Sei muito sobre baratas. Esse inseto asqueroso e repugnante. Se eu gosto de baratas? Odeio baratas e como forma de proteção, estudo sobre elas. Nesta semana acertei 100% do quiz sobre as baratas lançado no site Uol, inclusive que a barata alemã e suas descendentes se transformam em 300 mil novas baratas ao ano. Na verdade gosto de estatísticas. Mas percebo que muita gente não gosta ou às vezes, gosta muito. Depende do interesse. Se eu tenho medo de baratas, lá vou eu me dedicar a elas. Se um assunto diz respeito a um determinado grupo, o interesse aparece. Um exemplo é essa questão da gripe suína. O país está muito, mas muito preocupado com as estatísticas da gripe. Até corrigiram os números. De 34 mortos, reduziram a 28. Tinham errado. Agora subiram de novo para 34. Isso em dois meses. Mas muitas estatísticas são ignoradas. Bem, a gripe suína está batendo recorde em interesse Por que será que estão dando tanta atenção a essa moléstia? Vamos ver alguns números de outras estatísticas: no ano passado, morreram 17 pessoas por dia, só em SP, em decorrência da gripe comum (sazonal) ao todo foram 6.324 pessoas no ano. E não houve pânico. E as estatísticas da fome? Há 800 milhões de pessoas desnutridas no mundo, 11 mil crianças morrem de fome a cada dia, um terço das crianças dos países em desenvolvimento apresentam atraso no crescimento físico e intelectual, 1,3 bilhão de pessoas no mundo não dispõem de água potável,  40% das mulheres dos países em desenvolvimento são anêmicas e encontram-se abaixo do peso, uma pessoa a cada sete padece de fome no mundo. E não há pânico. E os assassinatos? A folha de São Paulo publicou recentemente que houve um aumento considerável nos homicídios só na capital. Ano passado, de janeiro a maio, foram assassinados 2.450 pessoas. Este ano, no mesmo período, teve um aumento de 302 homicídios, resultando em 2.759 mortes.
Por que as pessoas ignoram as estatísticas? Hipocrisia? Desinteresse? Ingenuidade? Bem, descobri uma das causas e vou contar só pra vocês, mas não contem a ninguém. Acontece que aquela gripe comum mata mais os pobres, aqueles que não têm uma nutrição adequada, não têm anticorpos e ficam presas fáceis das pneumonias, das doenças pulmonares e ainda dependem do SUS para socorro. A fome, por sua vez, não atinge a mesa dos que têm grana já que têm comida sobre ela, portanto não há que se preocupar porque nunca farão parte daquelas estatísticas. E vem a pergunta: Por que me interessar com o número de mortos pela fome se está tão longe da minha realidade?
  E  a tal da gripe suína? A danada não escolhe as vítimas. Na verdade, primeiro atacou os mais privilegiados, aqueles que têm condições de viajar para o exterior e trouxeram o vírus de lá. Aeroportos são locais de risco. Estamos desprotegidos: ricos, remediados e, por extensão, os pobres. Considerando então que até os bem alimentados não criaram ainda anticorpos, todos estão muito preocupados, não é? Vai que esse vírus resolve escolher o pulmãozinho, tão limpinho, da classe dominante pra se alojar. Entenderam o pavor e o interesse nos números? Pois é. No mais, salvo uma bala perdida - por incompetência absoluta do Estado nas políticas públicas de educação e segurança - estamos a salvo e não faremos parte das estatísticas da gripe comum e nem da fome.
Sentada sobre o meu comodismo, vou continuar estudando sobre as baratas, porque isso me interessa e me convém e dentro das minhas possibilidades, vou partilhando a comida da minha mesa e contribuindo para a redução dos números da estatística da fome. Mas nada de paternalismo e assistencialismo, hein? Isso denigre a alma humana.
Caderno 2
Edição: 299
Data: 19/05/2009
Ponto de Vista - E o terror se espalha!
Seria um abuso eu falar que to com saudades dos crimes de outrora em Pontes e Lacerda? Os mais atentos vão dizer que enlouqueci e que estou contrariando as normas religiosas, éticas e morais. Então não falarei. Mas vocês de lembram de como eram os crimes por aqui no passado? Acabava a energia geral e, pronto! Lá vinha a noticia de um homicídio. Era tiro e queda. Mataram fulano. E o silêncio imperava. Só se ouvia o burburinho do povo. Todo mundo virava investigador, mas nada se apurava. Punir quem? Não se achava o autor do crime. Que me desculpem os parentes, mas não tenham dúvidas: o morto sempre tava envolvido em uma trama. Ninguém aqui morreu de bala perdida. Ou o cara tava envolvido em grilagem, vingança, paixões ou mesmo bebedeira. É certo que fazer justiça com as próprias mãos é crime também. Mas que ninguém era santo, ah isso não era. Velhos tempos!!
E o que vemos hoje? O terror se instalou em Pontes e Lacerda. É raro um homicídio. O que vemos é a barbárie contra o cidadão, sem distinção de classe. Atenta-se contra a pessoa na medida de suas posses. Rouba-se da bicicleta até o mais caro dos carros. O que diferencia é o modus operandi. Quando se rouba o botijão de gás, as roupas do varal, o aparelho de DVD ou umas jóias adota-se, em grande parte dos crimes, a forma sorrateira de subtrair, de furtar sem contato físico com a vítima. O sofrimento se dá quando ela chega em casa e se sente ferida na alma e no bolso.
E o que dizer da vítima que conseguiu amealhar um patrimônio, que têm uma camionete, que mora em uma casa melhor? Sua situação é de terror, medo e insegurança total. É o alvo principal dos bandidos traficantes que adotaram na região a invasão de residências e o seqüestro relâmpago. Abordam de surpresa, rendem a família, ameaçam, ferem, levam para longe ou amarram-nas em casa, pegam o que podem - jóias, dinheiro, carros – bens que servirão como moeda de troca por cocaína na Bolívia. Tudo isso para alimentar o tráfico de entorpecentes oportunizando aos traficantes o dinheiro fácil e destruindo milhares de famílias que enfrentam o vício e a desgraça que ele traz para o viciado e para os que o rodeiam. Sofre todo mundo. Essa violência aos empresários tem sido uma constante em Pontes e Lacerda. Recentemente tivemos famílias nessa situação humilhante. Que tragédia! Vocês já imaginaram a fragilidade que ficam as vítimas de tal crime? Sabem o que é para os pais, além de vítimas, verem os bandidos armados, amarrarem os seus filhos, deferindo-lhes chutes e golpes e acabarem amarrados num matagal, numa noite escura, ameaçados de morte? Como se sentem os filhos ao verem os pais reféns, submissos a esses bandidos? É difícil, mas é preciso que nos coloquemos no lugar das vítimas para compreender o gosto amargo do terror. A situação aqui está tão caótica que não se sabe se o medo é em sair ou ficar em casa. A qualquer momento, você pode ter a casa invadida e ver a sua família aterrorizada e seus bens subtraídos. Ter um pouco de conforto e um carro melhor o condena e o coloca em risco. Ter uma bicicleta, um relógio, um rádio de pilha também o torna refém. Parece-me que estar vivo já assusta.
E a contradição está no seguinte: os empresários estão inseguros e assustados porque estão na mira dos bandidos e o Estado não consegue cumprir o seu dever de dar a segurança. Todos contribuem pagando impostos, não neguemos isso. Mas o empresário dá uma contribuição infinitamente maior. É empregador e paga dezenas de tributos. E se ele não cumpre corretamente, o Estado - que não oferece segurança mas sabe fiscalizar a contabilidade - executa-o e tira-lhe o sangue com multas, juros e ainda o põe na cadeia dependendo do caso. A sina é morrer por todos os lados. Novos tempos!!
Caderno 2
Edição: 296
Data: 22/04/2009
Ponto de Vista - O FUNIL E A GOTA
O bordão “ O país só vai pra frente através da educação” continua firme em todo o território nacional, em todas as falas dos gestores públicos, na boca de todos os políticos, nos integrantes de escolas, enfim, está aí atual e forte. É muito bom ouvir os discursos e ler os diversos autores teóricos que falam sobre o assunto. Eu prefiro ser prática e pensar no que é fazer política pública de educação. E para que eu tivesse uma opinião formada sobre o assunto, dia desses, convidei alguns professores a fazerem uma viagem imaginária comigo. E lá fomos nós, delineando em nossa mente qual a estrutura da educação no país. Resolvemos criar a figura de um funil, de boca bem larga já que a educação é uma pasta pesadíssima para o governo. E fomos para Brasília. Vocês já imaginaram o tamanho da estrutura que é o Ministério da Educação? Pense e dobre de tamanho. Ali trabalham milhares de pessoas, técnicos, servidores de toda a ordem. Gabinetes e mais gabinetes com excelentes estruturas, veículos e mais veículos sobem e descem as avenidas de Brasília. Os técnicos fazem anualmente centenas de viagens nacionais e internacionais para “acompanhamento de trabalhos e troca de experiências.” Projetos povoam as mesas. Milhões e Milhões de reais são gastos anualmente para fazer uma política educacional de qualidade.
Saímos do MEC e fomos para a Secretaria de Estado de Educação em Cuiabá. Uma beleza de prédio. Todo mundo no ar condicionado, garçons servindo nos gabinetes, carros pra cá, carros pra lá, salas e mais salas lotadas de servidores. Repito que ali também giram milhões e milhões em prol de uma política educacional de qualidade. O curioso é que ao iniciar um grande projeto é preciso primeiro melhorar a frota para que os técnicos possam vir aos municípios vigiar a sua execução e haja diárias para tanto vai e vem. E lá vai dinheiro. Projetos pra cá, conferências pra lá, correria acolá. Uns trabalham muitos, outros menos, outros nada.
Depois de passarmos pelo MEC e dar umas voltas pela SEDUC a nossa viagem vem para o município. Passamos pela Assessoria Pedagógica, que tem uma estrutura pobre, com a dura missão de ser o elo entre a escola e a Seduc. Tem pouco conforto, conta com Internet e ar condicionado. Não passa disso. Mas está ali para contribuir nos resultados de uma política educacional com qualidade. Pois bem, agora vamos pra escola. Já estamos no bico do funil porque acima tem toda uma mega estrutura. Cá embaixo está a escola com suas salas sem climatização, sem cortinas, o sol cozinhando os cérebros, sem carteiras, sem recursos audiovisuais adequados, ventiladores barulhentos, paredes riscadas, iluminação precária, sem livros didáticos suficientes para todos. Se tem biblioteca não tem a figura do bibliotecário, não agente de pátio, não tem porteiros. Tudo é difícil e precário. E é aqui que tentamos achar o aluno que é aquele que “seria” o maior alvo de tudo. É ele e o professor, no dia a dia, no cara a cara, que têm que dar resultados, melhorar o IDEB, melhorar as notas do ENEM, passar nos vestibulares e acima de tudo, é dali que sairão aqueles que transformarão a sociedade em busca de um mundo melhor. Mexo e remexo no meu funil imaginário e procuro o aluno. Todos os meus colegas fazem o mesmo. Com um olhar mais atento achamos as gotas caindo no bico do funil e lá está ele. O aluno e o professor constituem-se nas míseras gotas! Mas e os milhões que giraram dentro desse funil? Bem, ficou pelo caminho do oba oba da política educacional e cá estamos nós, alunos e professores, taxados como os grandes culpados pelos baixos índices de rendimento na educação. Mas e se dessem aos alunos e professores as mesmas condições daqueles que estão lá em cima? O final da viagem seria outro.
Janete Garcia de Oliveira Valdez é advogada e professora licenciada em Letras.
Caderno 2
Edição: 294
Data: 07/04/2009
“TUDO POSSO NAQUELE QUE ME SUSTENTA”
Em recente artigo, traçamos o perfil de um jovem que vive às margens da sociedade e que tem sido motivo de preocupação pela sua postura violenta na escola. Ainda bem que ele freqüenta uma escola. A sua formação e compreensão do que é cidadania está ali. No entanto, não é só esse aluno que tem atordoado os educadores de todo o país e deixado o IDEB – Índice de Desenvolvimento da Educação Básica muito abaixo dos países desenvolvidos.
Trata-se do filho de famílias aparentemente estruturadas, que mostram equilíbrio emocional e financeiro. Óbvio que temos excelentes alunos e não estamos generalizando. O perfil do aluno a que nos referimos aqui está presente nas salas de aula em todos os períodos e não gosta de ser cobrado em nada! Não obedece as regras, não faz as tarefas extra classe e não teme a represália dos pais. Antes fosse um rebelde com causa porque daí resultaria em discussões sobre o seu papel na família e na sociedade. Mas não o é. Ao contrário, é o retrato do marasmo. Ignora o que o professor diz e a escola pra ele é uma chatice. Não tem perspectivas de futuro, não tem compromisso, tem o que comer em casa, cama boa pra dormir, pais para sustentá-lo, se veste bem e traz em seu comportamento a preguiça de agir e de pensar. Vivenciamos isso diariamente na escola. Se o horário é 7 horas da manhã ele chega atrasado porque ficou até altas horas na internet e se chega no horário, boceja o tempo todo, fazendo questão de demonstrar que não está nem um pouco interessado na aula. Se o professor não permite a sua entrada fora do horário, em cumprimento às regras, sofre a represália daqueles pais que não admitem que o filho seja repreendido por “tão pouca coisa”. Sem contar que eles sempre têm uma justificativa para a deseducação do filho. Esse aluno não tem formação religiosa e para constatar isso, basta fazer a pergunta, as segundas feiras, quantos dali foram à igreja no dia anterior. A resposta é preocupante e posso falar com certeza porque já fiz essa pesquisa, durante um ano. De cada turma de 35 alunos, uma média de 5 foram a igreja. Os demais não foram e não fizeram nenhum tipo de oração. Estão desprovidos de uma formação religiosa, o que é gravíssimo. Num mundo tão desigual como esse, a religiosidade da família é essencial. Onde estão os pais que não o levaram pra igreja no fim de semana? Outro ponto interessante é você perguntar, após um resultado baixíssimo nas médias bimestrais, quantos estudaram em casa, preparando-se para as avaliações. O resultado é o mesmo: em média, 5 alunos estudaram previamente. Os demais não pegaram o material para rever o conteúdo. Onde estão os pais que não cobram dos seus filhos o cumprimento das normas, o estudo em casa, a organização do material, entre outros? A alegação de que ficam fora o dia todo para o trabalho já não convence mais. A responsabilidade pelos filhos que colocaram no mundo não é só da escola. É preciso lembrar que o dia tem 24 horas e que o aluno passa ali somente 4 horas. Se subtrairmos o espaço destinado à organização da sala, merenda escolar e recreio, teremos pouco mais de 3 horas de efetiva docência.
Esse aluno é autoconfiante. Sabe que ele pode e tem tudo com aqueles que o sustenta justo porque percebe que são pais omissos e que muitas vezes vivem uma vida de aparências. Sabe que no máximo vai levar uma reprimenda e que no dia seguinte tudo voltará ao que ele chama de normal. É preciso que a família reveja os conceitos e que vá para a escola junto com os filhos. Repito que todos aprenderão.

Janete Garcia de Oliveira Valdez é Advogada, Professora licenciada em Letras e colaboradora da folha Regional.
Caderno 2
Edição: 293
Data: 03/04/2009
Ponto de Vista - O professor na linha de Fogo
Tenho discutido em várias ocasiões a questão da desestrutura da família. É muito preocupante porque ela ainda é a instituição que alicerça a sociedade. Afinal todo indivíduo é concebido, sai de uma barriga, nasce inocente, alguém cuida, cresce e se desenvolve dentro de uma família, que hoje é entendida como um núcleo de pessoas que se agrupam afetivamente. Antigamente era formada pelo pai, mãe, filhos, todos certinhos fotografados para o álbum, com gravata, vestidinho rodado e tudo o mais. Mudou o seu perfil, mas continua família. E desse núcleo familiar nascem os pimpolhos que crescem e, na idade própria, vão para a escola. É ali que está o retrato do povo com todos os problemas que assolam a sociedade. Presume-se que em casa aprenderam as lições básicas de educação para a convivência coletiva. No mínimo devem ter aprendido as palavrinhas mágicas do “com licença, por favor, muito obrigado”. Será? Afirmo que há algo de errado pelo caminho.
Estamos aqui com milhares de jovens matriculados nas escolas da rede pública e vem ocorrendo um fenômeno que assusta e está desencadeando uma série de discussões em todo o meio educacional que é a indisciplina no âmbito escolar. Mas não é uma indisciplina da traquinagem, das “artes” que todo aluno peralta fazia e ainda faz. Falamos aqui da indisciplina violenta mesmo! E que tipo de violência é essa? É aquela instalada no desrespeito entre colegas e no trato com os professores. É a violência no peso do vocabulário, nos xingamentos, nos palavrões, no deboche, nos gritos, na ironia, na destruição do patrimônio público, na depredação do prédio, na pulação de muros, na vontade de quebrar, de estragar, de danificar, da revolta incontida.
Os professores, que são preparados para a docência e para ajudar a superar os desvios de aprendizagem, tentam lidar com os desvios de conduta e têm sentido na pele o problema. Em lugar de mediar o conhecimento têm que mediar conflitos e ainda ser desrespeitado, sem direito a uma ação mais rígida porque senão corre risco de morte. É preocupante porque o aluno que se enquadra no perfil aqui descrito não obedece aos pais, não teme a polícia, nada lhe assusta. Ele é fruto da desestrutura da família, é educado pelas ruas, falsos amigos, praça, programas televisivos inadequados e quando chega na adolescência adere ao modismo barato, veste-se de acordo com o modelo ditado pela TV e contraria o bom senso. As meninas mostram vulgarmente o corpo e os meninos aderem aos brincos, bonés, bermudões, chinelão no pé, tatuagens, piercings e tudo o mais que possa demonstrar que “aqui eu sou o bom da boca, to na minha área”. Não é a vestuário por si só que o condena. É a postura que o denuncia. E também não é preconceito nosso. É uma leitura da realidade que está aí posta, muito presente na clientela do período noturno que após um dia de “exclusão social” chega à escola sentindo a necessidade ou de se auto afirmar ou de descontar em alguém a raiva, a revolta de mais um dia vivido no subemprego, no desemprego, na dependência química, na fome, nas gangs, na falta de dinheiro, na briga dos pais, nos dissabores, nos desamores, enfim resultado de um dia vivido às margens da sociedade onde o que imperou foi a vontade de TER e não a vontade de SER. Afinal, num mundo consumista como o nosso, a família anda esquecendo de discutir os princípios éticos, morais e religiosos que resultariam na autovalorização do jovem. Para melhorar esse quadro, parece-nos que o caminho mais certeiro é a família ir pra escola com os filhos. Todos aprenderão. Sem a sua participação os professores continuarão na linha de fogo e não podemos esquecer que professor tem sentimentos. Como qualquer outro profissional deve respeitar e também ser respeitado.

Janete Garcia de Oliveira Valdez é advogada e professora Licenciada em Letras.
Caderno 2
Edição: 292
Data: 25/03/2009
Ponto de Vista - Não travem a Língua
O que reina no noticiário da TV com certeza é a violência, a crise, a corrupção, as tragédias. Nos últimos dias, porém, a reforma ortográfica teve grande destaque. Falou-se muito sobre o que caiu aqui e o que se acrescentou acolá: trema, acentos, hífens são os grandes vilões. Ressalto que o objetivo dessa reforma ortográfica é unificar a escrita em todos os países que falam a Língua Portuguesa. Confesso que ainda estou na fase de adaptação. Um pouco do novo, muito do velho.
Mas, muito mais grave que assimilar as poucas mudanças ortográficas – 5% ao todo – é verificar a dificuldade que se tem com o uso da Língua, sem nem pensar em mudanças. Não se trata de conhecer e empregar na oralidade a gramática pura aprendida nos bancos da escola. Sabemos que muitos não tiveram uma educação livresca de qualidade ou nem tiveram. Referimos-nos ao seu uso verbal cotidiano e destacamos aqui dois pontos críticos que se constata diariamente na fala do povo: o uso do gerundismo e o erro freqüente na concordância nominal ao se fazer o plural – exclusão do “s”.
Não vamos confundir gerúndio com gerundismo. O gerúndio pode e deve ser usado para expressar uma ação em curso ou uma ação simultânea a outra como no caso do “Está havendo aulas”, “O ensino está melhorando no país”. Já o gerundismo é uma construção abusiva do gerúndio. É muito utilizada nos serviços de atendimento ao cliente por telefone e telemarketing e nesse caso pode se explicar por uma tradução apressada dos manuais que vêm do exterior. . Lembro que o Inglês não diz “vou trabalhar” e sim “Eu estou indo trabalhar”.
Com isso, o nosso povo resolveu copiar e resultou no “eu vou estar levando, eu vou estar chamando, gostaríamos de estar convidando, o zoneamento vai estar afetando” e milhares de outros “ eu vou estar ou ele vai estar” se faz presente na fala do povo. Aqui em Pontes e Lacerda é usado nos canais de TV, nas entrevistas, nas emissoras de rádio, nas igrejas, nas conversas do bar, nos discursos políticos, etc. Virou uma febre. E uma febre insistente, até porque esse assunto vem sendo discutido há mais de três anos pelos meios de comunicação e já era hora de ter melhorado. Os professores de Língua Portuguesa vêm insistindo na correção mas parece que o uso do cachimbo fez a boca torta. Ora, é muito mais fácil substituir tudo isso pelo “eu vou chamar, eu convido, eu trabalharei, o zoneamento afetará, etc. Esse vício tem que ser extinto pela mídia local já que é formadora de opinião e o que os seus integrantes dizem equipara-se ao que um professor ensina para a criança na escola... tudo é tido como verdade, como correto. Então, é preciso melhorar isso urgente.
Outro ponto crucial é a exclusão do pobre do “s”. A concordância nominal está na lona. É rotineiro ouvir “as criança(s) pobre(s)”, “os curso(s) da Unemat”, “sejam todos bem vindo(s)”, “os artigo(s) da Janete são polêmico(s)” e assim por diante. O “s” precisa aparecer. Não podemos jogá-lo no lixo. É hora de melhorar a linguagem verbal. Então conclamo a todos para uma campanha em prol da nossa Língua. E a propósito lembro que aqui é comum ouvir: “participem do bingo em prol a construção da Igreja”. “Eu, no mínimo, quero participar do bingo em prol da construção da matriz”. Correto?
Caderno 2
Edição: 291
Data: 18/03/2009
Kara a Kara
Camélia Rosana

“Tudo eu entregonas mãos de Deus”.

Esta semana tivemos o prazer em conhecer a doutora Camélia Rosana de Souza, advogada na área criminal há 15 anos, atuando em Pontes e Lacerda já 12 anos. Uma das mulheres homenageadas com o Destaque Mulher, realizado pela apresentadora Tyna Telles.
Em seu escritório, ficamos Kara a Kara com a advogada Camélia Rosana, que também fazer parte da nova diretora do Clube Recreativo Cantão.
Atuar na área criminal e ser considerada uma das mulheres mais atuantes é um grande desafio, e ao mesmo tempo, um grande privilégio. Afinal a área criminal, antes era considerada uma atuação masculina.
Vários casos já marcaram sua atuação em Pontes e Lacerda, desde 1997, quando veio para de Goiás, porque aqui a área criminal era pouco explorada. Por questões de ética não comenta nenhum episodio. Uma das áreas que mais a deixa fascinada é a do Tribunal de Júri, que modesta parte sempre tem resultados positivos.
Meio a advocacia e diretoria social e cultural do Clube, essa mulher bonita, alegria, descontraída e elegante também é extremamente romântica. Atualmente está lendo ‘O filho de Emiliana, de Jesus Cristino, mas confessa que seu livro de cabeceira é a Bíblia Sagrada, e ressalta “tudo eu entrego nas mãos de Deus, Ele me dar as respostas certas em minhas mãos”.
Com o coração aberto a novas amizades e quem sabe a futuros relacionamentos, uma mulher extremamente ligada à família. Mãe de três filhos Carolina, Igor e Rômulo. Avó de dois netos prepara-se com muita emoção para a chega das gêmeas Maria Eduarda e Angelina. A família hoje é o seu projeto de vida, quer dar mais atenção a todos, curti-los de forma incondicional.
Sempre sorridente e de bem com a vida, não se deixa abalar por decepções. Nem a atual crise mundial que afeta a todos os brasileiros tira o sorriso descontraído e atraente da Camélia, que espera um dia “olhar para traz e não ver maldades nas pessoas”, concretiza a advogada.
Caderno 2
Edição: 291
Data: 18/03/2009
Ponto de Vista - POLUIÇÃO SONORA. Onde está a ética?
Ando num momento de saudosismo. Isso mesmo. Saudades daquela Pontes e Lacerda de alguns anos atrás, quando eu achava que era incômodo um único serviço de alto-falante que desfilava pelas ruas anunciando as novidades do “Bazar do Chiquinho” entre outras lojas aqui instaladas. Hoje aquilo é lembrado com o efeito de uma melodia em meus ouvidos. Havia uma certa ética na época. Os domingos eram respeitados. Era possível repousar numa tarde de sábado. É óbvio que não almejo uma cidade retrógrada, estagnada no tempo, mas falo com experiência porque conheço quase todos os estados do Brasil, países da América do Sul e já estive no centro de New York-EUA, em pleno período natalino e não vi nada parecido com o fenômeno aqui abordado. Não é o tamanho da cidade que determina os preceitos éticos a serem seguidos. É o seu povo que se educa e se torna ético.
Trato desse tema porque hoje o caos se instalou em Pontes e Lacerda e enfrentamos um enorme problema com a poluição sonora. Não que eu seja contra o progresso, o desenvolvimento. Mas o que estamos vivenciando aqui é antiético, desrespeitoso e fere profundamente o direito sagrado do cidadão de ter o seu ouvido respeitado. Além de conviver com um número significativo de motos barulhentas (sem o silencioso), com o som altíssimo no interior dos veículos de jovens que trafegam pelas ruas como se fossem boates ambulantes, de suportar os lançamentos de promoções de grandes empresas que soltam fogos e desfilam em carreatas em alto e bom som, de suportar os motoristas que usam a buzina abusivamente, ainda temos que aturar os serviços rotineiros de propaganda de som nas ruas. Quero ressaltar que não sou contra esse ofício e não é intenção desse artigo extinguir essa prática existente na cidade. Afinal a propaganda é um gênero extremamente argumentativo, convincente e necessário para estimular as vendas, aquecer o comércio local e trazer divisas ao município. O que destacamos aqui é o abuso que paira sobre essa atividade. No espaço coletivo, a ética – que nada mais é do que exercer um direito respeitando o direito do outro - tem que imperar. O desrespeito é sentido todos os dias em frente às escolas públicas, aos hospitais, as igrejas, enfim, ao alcance das pessoas que trafegam pelas ruas ou mesmo aquelas que estão no trabalho ou no aconchego do seu lar.
E o número de pessoas que se dedicam a essa atividade é grande. Em um curto espaço de tempo você constata a passagem de diferentes profissionais, sem contar as idas e vindas do mesmo veículo equipado com caixas de som altíssimas, num vai e vem frenético pelas ruas. A aberração é tamanha que nesta semana interrompi o atendimento a um cliente idoso, até que o condutor do veículo de propaganda – uma moto – dobrasse a esquina e fosse atormentar outra rua, tal era a altura do som. Não temos um medidor de decibéis ao alcance das mãos. Mas temos noção de altura de som e pasmem... temos ouvidos, somos humanos!
É preciso que as autoridades tomem as providências e consigam chegar a um ponto de equilíbrio entre o direito de o profissional exercer a sua atividade e o direito do cidadão de não ser perturbado dessa forma. Por último, lembramos que a nossa cidade está em franco desenvolvimento e merece sair desse costume interiorano e desrespeitoso à coletividade.
Caderno 2
Edição: 290
Data: 11/03/2009
Ponto de Vista "MULHER: O outro lado da moeda."
Março, mês da mulher. A mídia está dando ênfase ao tema, o comércio intensifica as vendas, todos se cumprimentam, mensagens emocionantes são lidas, flores são enviadas, as mulheres queimadas em uma fábrica em 1.857 são lembradas. Tudo muito interessante e somos merecedoras!! Afinal o papel da mulher até meados do século passado era de neutralidade, de submissão, de omissão. Procriação e subserviência eram as regras.
Entendo que comemorar é preciso, mas a reflexão tem que imperar. E hoje conclamo as valentes mulheres a pensar e a repensarem em que pé anda o gênero feminino. É certo que estamos na luta, mas não sejamos hipócritas em generalizar o sexo feminino como digno de tantas pompas. Há algo de podre no reinado. E esse cheiro fétido está se espalhando pelo país. É o odor que exala da ala feminina que não adere a luta, ao trabalho honesto, ao pudor, ao prático, ao sensual, ao carinho, ao afeto. Falo aqui do grande contingente de mulheres que entra a cada dia para o mundo do crime, para a prostituição, para a degradação do corpo. Falo daquelas que trocam a sensualidade pelo sexo apelativo, que amam dançar ao som das músicas que as taxam de “cachorras preparadas”, objetos do prazer masculino. Isso mesmo. Junto com essa ascensão da mulher guerreira que dignamente trabalha na faxina, até a que trabalha no mais alto patamar da intelectualidade, cresce um percentual assustador de mulheres que vem escrevendo a sua história de forma totalmente contrária aos ditames da ética, da moralidade, da legalidade, do brio, da valentia. Nem rainha do lar, nem trabalhadoras. Os sociólogos dirão que vivem às margens da sociedade por falta de oportunidades. Os psicólogos defenderão que traumas da infância resultam em tais comportamentos. O clero defenderá que é falta de religiosidade. Uns atribuirão a falta de educação livresca, outros falarão que falta mesmo é vergonha e coragem para o trabalho. Bem, não quero me ater ao falso moralismo e nem ao preconceito. Não é esse o objetivo destas reflexões. Eu prefiro citar os fatos. É uma dura realidade e deve haver uma explicação plausível pra essa ala feminina caminhar na contramão da história.
Estatísticas recentes mostram que o número de mulheres encarceradas tem crescido assustadoramente, em especial na prática de tráfico de entorpecentes. Presídios femininos estão abarrotados, fazem rebeliões, promovem fugas. A mulher degrada-se pelos atos e pelo corpo. Quando não se transforma em comida – mulher melancia, melão, filé – vai para o lado vegetariano, transformando-se em samambaia. E as desprovidas de criticidade olham para a TV, para as revistas, (elementos formadores de opinião) e reproduzem pobremente o que a ideologia capitalista quer. Para constatar essa realidade nada de ir muito longe. Vá aos laboratórios sociais que temos: bailões, bailes funks, baladas, carnaval, rodeios, festival de pesca, entre outros. Nessas aglomerações muitas mulheres mostram-se desprovidas de qualquer pudor e bom senso. Vestem-se com o mínimo de tecido, optam pelo despudor, ingerem bebidas alcoólicas em excesso. Muitas estão começando a vida, outras já com filhos, deixam-nos em casa, sozinhos, desamparados. Outras jogam os filhos nos rios, matam de bater, deixam-nos em abandono, permitem que os companheiros seviciem as filhas, trocam de marido com freqüência, aderem ao amor bandido, se machucam, viram vítimas, viram autoras, são assassinadas e assassinam.
Bem, mulheres são humanas e nesta condição estão na luta: ou da elite guerreira ou do delito sem volta. E uma coisa me intriga muito. Essas mulheres que abordamos aqui, foram bebês, mamaram no peito e saíram da barriga de uma mulher. Por que será que a coisa ta descambando assim? É momento de reflexão.
Caderno 2
Edição: 289
Data: 05/03/2009
Cooperativa de Crédito realiza Pré-assembléia em Araputanga e Quatro Marcos
Aconteceu na noite do último dia 27 em Araputanga a Pré-assembléia da Cooperativa de Crédito Rural do Noroeste de Mato Grosso, a pauta da reunião foi a prestação de contas, destinação das sobras, eleição do conselho fiscal, fixação dos honorários da diretoria executiva e conselhos fiscal e de administração, vendas de bem de uso e de não uso da cooperativa e a utilização do FATES.
Ediano José gerente regional da cooperativa fala da importância que é a realização da Pré-assembléia, “este é um momento oportuno para que os associados possam decidir o futuro da Cooperativa, momento de tirar todas as dúvidas e fazer questionamento junto aos nossos executivos antes da assembléia geral”, afirmou.
Foram apresentadas as sobras geradas pela cooperativa no exercício de 2008 onde serão destinadas conforme decisão dos associados na Assembléia Geral Ordinária no dia 28 de março de 2009 em Araputanga. Foi eleito em votação a indicação do suplente do conselho fiscal representante de Araputanga Adilson Rodrigues. Marlene Souza Santos presidente da cooperativa ressalta a importância da realização da Pré-assembléia, “esta é a oportunidade dos associados verem a saúde financeira da Cooperativa e decidir seu futuro na Assembléia geral. A minha missão como diretora da Cooperativa é agregar renda para os nossos sócios e por esse motivo a diretoria executiva trabalha bastante para que o crédito do associado cresça cada vez mais”. Concluiu. Reinaldo de Oliveira Fernandes - vice presidente da Cooperativa salienta que em Araputanga de 2006 a 2008 a Cooperativa trabalha com um saldo positivo fazendo com que os associados acreditem e continuem acreditando nos trabalhos da Cooperativa, “é importante que tudo que desenvolvemos possa estar de forma transparente, e que os associados não tenham nenhuma dúvida quanto ao trabalho da diretoria executiva da cooperativa”

Convite:
A diretoria executiva convida a população e associados para participar da Assembléia Geral que acontecerá em Araputanga no próximo dia 28 de março, Clube Olímpico, primeira chamada as 8:00hs, segunda chamada 9:00hs e terceira chamada 10:00hs


Quatro Marcos
A noite de 28, foi a vez de São José dos Quatro Marcos realizar a Pré assembléia. Uma notícia mais que boa para os associados e para a diretoria executiva é que em toda sua historia no município em 9 anos, no ano de 2008 pela primeira vez a unidade fechou com saldo positivo, graças ao trabalho da Diretoria Executiva, Conselho Administrativo e Colaboradores da Unidade e principalmente a reciprocidade e confiança dos associados junto a cooperativa.
Reinaldo Fernandes, explica o motivo do saldo positivo, “foi feito um trabalho de formiguinha, aonde cada associado chamava mais um, e por este trabalho realizado onde todos abraçaram foi possível que em 2008 fechássemos o ano com um saldo positivo. Esperamos dar continuidade neste trabalho junto aos associados de São José dos Quatro Marcos para que nos próximos anos possamos obter o mesmo sucesso.”
A população quatromarquense compareceu em massa e decidiu o futuro do negocio votando e aprovando os planos da cooperativa para o próximo ano. “É uma satisfação muito grande que nestes noves anos da história da Cooperativa em Quatro Marcos nunca havíamos obtido um resultado positivo e em 2008 graças ao desempenho de todos os associados e equipe de colaboradores que estiveram focados em reverter esse placar conseguimos fechar com um resultado positivo bastante expressivo, sem esquecer que os associados e associadas contribuíram e muito para este resultado”, frisou o gerente regional Ediano José Neves.
Caderno 2
Edição: 289
Data: 04/03/2009
Prêmio Mulher acontece dia 7 de março
O grande
diferencial do ‘Prêmio
Mulher 2009’
é que além de aumentar as categorias a serem
premiadas,
serão
homenageadas também
mulheres de Conquista D’Oeste e Nova Lacerda

A apresentadora Tyna Telles, prepara-se para a terceira edição de um dos eventos mais badalados e renomados da região. Com seriedade e grande responsabilidade o Prêmio Mulher tem ganhado espaço a cada ano que passa. Dia 07 de março mulheres Ponteslacerdenses serão homenageadas pelo seu destaque como profissional, mãe, dona de casa, esposa, amiga e acima de tudo ‘MULHER’.
A grande noite de glamour acontecerá nas dependências da Excalibur Eventos, onde quarenta mulheres de diversos segmentos serão premiadas, independente de classe social ou profissão, elas serão as grandes estrelas da noite.
Foram vinte dias de pesquisas nas ruas de Pontes e Lacerda, onde a população indicou nomes a serem contemplados.
O grande diferencial do ‘Prêmio Mulher 2009’ é que além de aumentar as categorias a serem premiadas, serão homenageadas também treze mulheres em Conquista D’Oeste no dia 06 e doze mulheres em Nova Lacerda no dia 08. As mulheres premiadas não têm custo com mesa nem troféu.
A organizadora do evento Tyna Telles aguarda ansiosa mais uma edição e está confiante de que será sucesso absoluto como foi nas edições passadas. “O Prêmio Mulher vai ser um pedaço de tudo aquilo que não só a mulher, mas que todo ser humano merece: ser reconhecido”, salientou.
Serão vendidas apenas cinquenta mesas, o valor é de 100,00 reais. Interessados ligar nos telefones (65) 8418-1180 ou 3266-6341comTyna ou suas auxiliares Tatiana e Luciene.
Caderno 2
Edição: 289
Data: 03/03/2009
Kara a Kara
Destacando quem faz nossa história!

“Quero me aposentar como educadora e continuar contribuindo com a nossa educação”.

Cleunice Andrade

O Kara a Kara de Nonato Vianna vem mostrando as pessoas que fazem a nossa história. Nesta semana, em homenagem a semana do Dia Internacional da Mulher, o destaque vai para a renomada e reconhecida professora Cleunice Andrade, “Cleu” para os íntimos, formada em Letras pela Unemat, uma das mulheres que realmente faz a história de Pontes e Lacerda, há 34 anos, com seriedade, competência e responsabilidade. Além de ser uma das educadoras de mais alto gabarito, é também coordenadora da cultura do mais alto quilate, ela é o ícone do resgate cultural de nosso município.
Em sua residência, descansando do feriado carnavalesco, ficamos Kara a Kara com uma das cabeças mais pensantes e sábias, que nos revelou sues eternos laços familiares, ao referir-se aos filhos Marcos Diego e Marcio Vinicius. Mas, o que nos emocionou foi ouvi-la falar da neta Ana Carolina que tem um ano e seis meses, a avó coruja já pensa no futuro educacional da neta, defendendo para sua formação o Sistema Positivo de Ensino.
A educadora, com sua sabedoria já contribuiu para a formação de inúmeros cidadãos, que reconhecem orgulhosamente a importância de tê-la como professora. O professor Antônio Gomes, autor da letra do Hino de Pontes e Lacerda nos relata: “ela é minha eterna madrinha, contribuiu muito para o meu sucesso profissional e continua contribuindo sempre”.
Realizada no contexto pessoal e profissional, como educadora confessa que ainda há grandes desafios, não somente para ela, mas para toda a classe, o maior deles é continuar lutando por uma educação mais valorizada. Admite que já houve grandes avanços, no entanto, ainda há muito o que se fazer, para Cleu a maior herança de um cidadão é uma boa educação.
Além das responsabilidades de professora das escolas públicas e universidade, se desdobra com as atividades da Coordenadoria de Cultura, na qual tem recebido grande elogio pelas ações realizadas, resgatando os valores culturais de Pontes e Lacerda, fazendo com que a identidade do município seja vista pela sociedade e pelos turistas. Entre os trabalhos já realizados está a restauração do antigo Posto Telegráfico Marechal Rondon, onde hoje funciona a Casa da Memória. Vários segmentos como o grupo teatral Movidos pela Arte, grupos de danças, músicos, moda e beleza têm recebido apoio cultural para realizarem suas atividades. Seu compromisso com a cultura vai mais além, enfoca que concorda com o ministro da cultura Gilberto Gil quando fala que “Cultura são todos os nossos atos”.
Como todo brasileiro sonhador, Cleu também sonha com um Brasil melhor, que os povos e raças resgatem suas identidades culturais!
Sempre de bem com a vida, mostrando seu bom gosto e suas irreverência músical, cantarolou um trecho de sua música preferida, “Ando de vagar porque já tive pressa”... de Almir Sater, e fã da grande marron Alcione, de Fernanda Montenegro e Tarcisio Meira.
Uma adoradora da culinária brasileira, vegetariana assumida, admite que a pescaria é um refúgio para sair do stress.
Com uma biblioteca invejável, fala de seu acervo de livros em diversas áreas, um dos que mais marcou é “O despertar da águia” de Leonardo Bof. Muito sábia, encerra o nosso Kara a Kara, “meu livro de cabeceira é o que tira a angústia de qualquer ser humano, a Bíblia Sagrada”.
Caderno 2
Edição: 288
Data: 17/02/2009
Kara a Kara
Maria de Lourdes
“Procuro viver a vida intensamente, com dignidade e responsabilidade”.
Ao som de uma boa música, na sala de estar da residência de Maria de Lourdes Correa Marques, em bate papo conhecemos um pouco mais da administradora de empresa, formada pela UFMT, hoje diretora comercial e de marketing da TV Record em Pontes e Lacerda desde a fundação da empresa em 2004. Realizada na emissora que além de exercer com eficiência e responsabilidade suas funções também faz um trabalho social juntamente com a equipe de trabalho, com a realização da Feijoada VIP que tem lucros destinados a entidades locais, e o apoio condicional ao grupo teatral Movidos pela Arte, que hoje tem sucesso reconhecido pelas peças teatrais e pelos filmes, inclsive foi protagonista de dois filmes levando sociedade mensagens de vida para todos.
Desdobra-se entre as atividades da TV e administração do empreendimento. Optou pelo ramo de supermercado, foi um segmento que a chamou atenção, tem experiência, aprendeu com seu pai o saudoso Paulo, trabalha no ramo, com sua mãe Maria Luzia.
Uma mulher guerreira, uma mãe que ama. Seu maior desafio foi criar e educar Karina, Betânia e Bruna, filhas do casamento com o psicólogo Gilmar Marques, separados desde julho de 2008, confessa “somos excelente amigos, temos muito respeito um pelo outro, nossa separação foi amigável, com diplomacia”. Com o coração aberto a futuros relacionamentos, pronta para recomeçar ela admite está preparando-se para viver novamente um grande amor.
Aos 13 anos tornou-se evangélica, feliz com a religião, enfatiza que “todos nós devemos ter uma religião, é fundamental para o ser humano, temos que ter no que acreditar, em quem acreditar, Deus é um Deus maravilhoso! Temos amigos que desabafamos, pessoas companheiras, mais Deus é primordial”.
Sempre adepta a uma boa leitura, atualmente seu livro de cabeceira é Perdas e Ganhos – da escritora Lia Lufit, retrata que a vida não é feita somente de perdas, temos muitos ganhos, tipo um sorriso, um cumprimento, um olhar... “Procuro viver desta forma, estou sempre atenta as coisas boas, as pessoas principalmente”.
Lourdes é uma mulher romântica, adora flores! Perguntamos se ela fosse uma flor qual cor ela preferia. Sorridente e descontraído ela nos respondeu “branca, porque é uma cor que exala paz”!
Uma das defensoras da natureza, preocupada com a questão do desmatamento, se fosse uma árvore ela gostaria de ser um IPÊ, porque é uma árvores em extinção, porém, forte – uma árvore que renasce das cinzas. Ela é uma mulher que está sempre renascendo, porém, com brio, dignidade e doçura.
Fã da atriz Marília Pêra, do ator Tarcisio Meira, dos cantores Caetano Veloso e Ana Carolina. Mas sua música preferida É ISSO AI, tem uma letra expressiva. É isso ai, não vou parar de te olhar, não vou deixar de te olhar... foi ao som desta música que encerramos o nosso Kara a Kara, também regado de um delicioso Chá das Cinco, com iguarias deliciosas.

Caderno 2
Edição: 288
Data: 17/02/2009
Reencontro
Após 35 anos sem contato, Carlos Cunha descobriu João Baiano, através do Jornal Folha Regional
Na edição 285/2009 – deste periódico, publicamos uma matéria sobre João Pereira da Silva, o popular João Baiano, 104 anos de idade. O Jornal Folha Regional circula em 13 cidades da região, em Cuiabá nos órgãos públicos, levando aos leitores uma qualidade jornalística com muita ética e seriedade.
A matéria foi lida pela senhora Maria, irmã de Carlos Rosa da Cunha residente em Jauru. Ao ler artigo, Maria imediatamente comunicou ao irmão, que tratava-se de João Baiano, um grande amigo da família, que há 35 anos não tinham nenhum contato.
A felicidade foi tão grande, que Carlos veio até Pontes e Lacerda para rever o grande amigo que o considera como seu segundo pai.
Com laços de família por afinidade, João Baiano tem uma filha que é casada com um irmão de Carlos, porém une ainda mais as duas famílias que agora pretendem recuperar os 35 anos que ficaram separados.
João Baiano irá reencontrar um de seus melhores amigos de infância, Chico Maria, 93 anos, pais de Carlos, que pretende fazer um grande encontro entre os amigos, onde reunirá o Pai biológico e João Baiano, considerado seu segundo pai.
“Cheguei a chorar de tanta emoção e alegria, ao ver que eu iria reencontrar depois de 35 anos o meu querido João Baiano, meu segundo pai, ele praticamente nos criou na cidade de Jauru”, relatou emocionado e sorridente.
Caderno 2
Edição: 286
Data: 03/02/2009
Kara A Kara
“Ver a rede educacional ganhar identidade foi o meu maior presente”.
Ficar Kara a Kara com uma das mulheres mais pensantes e inteligentes foi mais que uma honra... Um privilégio... Este colunista tomou um delicioso café da tarde, também regado de uma reciclagem cultural, com a pedagoga Tereza Pazos, especialista em Curriculum Fundamental, mestre em Educação Escolar com foco em Epistemologia do Ensino e doutoranda em Educação Escolar com foco em História da Educação. Aos 50 anos continua sendo perfeccionista e realizada em todos os sentidos. Divorciada, mãe de Alexandre e Polyana Cristina, dois herdeiros que lhes dão muito orgulho. Estão todos encaminhados para a vida.
Chegou a Pontes e Lacerda em 1984, veio do Paraná quando foi aprovada num concurso público, a procura de algo novo e diferente, na época recém formada veio para exercer a função de educadora.
Tereza é sinônima de sabedoria e competência! A prova disso é que até hoje é reconhecida e elogiada pela sua atuação na Secretaria de Educação no período de 2001 a 2004. Ter sido uma administradora pública foi o seu maior desafio, porém, encontrou inúmeras precariedades, entre elas, a merenda e o transporte escolar, que deu prioridade e os estudantes passaram a ter acesso com qualidade, além da criação de vários projetos educativos. “Os alunos começaram a ter mais visibilidade, participando de todos os eventos escolares, inclusive dos Jogos Inter Escolares, a prefeitura ajudava nas despesas, mas não tinha a participação dos alunos”.
Ao assumir a pasta, ela mudou a história educacional de Pontes e Lacerda. Montou toda a estrutura funcional da educação no município, estabeleceu novas diretrizes norteadoras, criou critérios para os profissionais do magistério exercerem suas funções com qualidade, exigindo que os mesmos tivessem formação e curriculum. “Eram professores quem os vereadores e lideranças políticas indicavam independente se tinha formação ou não”. Ofereceu qualificação e capacitação aos professores, proporcionando aos mesmos a oportunidade de oferecerem aos alunos maior qualidade no ensino.
Professores e funcionários da educação sentiram-se mais valorizados quando receberam seus salários atrasados e ainda mais com a criação do Plano de Cargo e Carreira, uma forma de valorizar e dar mais segurança aos profissionais.
A doutoranda Tereza é uma mulher que não pensa apenas no presente, ela projeta tudo com visão ampla de futuro, por isso, criou o Plano Municipal de Educação, uma proposta inovadora para 10 anos. Todas essas ações foram vinculadas dentro da Lei, aprovada pelo Poder Legislativo Municipal.
Com toda uma estrutura positiva na Educação, ainda foi perseguida por ser uma mulher de pulso, digna, com caráter integro e ético, quanto aos rumores do transporte escolar, mas a resposta foi dada quando parlamentares municipais e a sociedade comprovaram a integridade da Secretária mais capacitada e atuante de todos os tempos.
Sua meta é concluir o doutorado. Como não dispensa um bom livro, entre os inúmeros que já leu o mais marcante é o “Conversa com quem gosta de ensinar” de Rubens Alves. Uma mulher temente a Deus, tem sempre como seu livro de cabeceira a Bíblica Sagrada. Quando mencionamos qual sua música preferida ela cantarolou “debaixo dos caracóis, dos seus cabelos”... do rei Roberto Carlos que também é seu cantor preferido, a cantora é Marisa Monte.
Fã das atrizes Tônia Carreiro, Glória Menezes, e do ator Tarcisio Meira.
Como toda educadora tem como foco os jovens, ela deixa um recado a eles “Estudem muito, o mundo hoje requerer pessoas com conhecimentos amplos e éticos”.
Falar de Tereza, uma mulher de fibra, garra e guerreira, teríamos que escrever um livro imenso! Ela ficará para sempre na história educacional em todo o Brasil. Concluímos o nosso Kara a Kara com ela enfatizando “Acredite na vida sempre, Ela é maravilhosa, só temos que aprender vive-la”...
Caderno 2
Edição: 285
Data: 27/01/2009
Kara a Kara
Janete Garcia de Oliveira Valdez, mulher determinada, competente, ética, bem resolvida e acima de tudo ousada. Em seu escritório ficamos Kara a Kara com Janete Garcia para sabermos um pouco mais desta pequena mulher, que é uma grandiosidade de pessoa. Afinal, ‘são nos pequenos frascos que estão guardados as grandes fragrâncias’. Requisitadíssima, que até fomos interrompidos várias vezes por clientes a procura de seus serviços jurídicos.
Optou em morar em Pontes e Lacerda no ano de 1992, veio em busca de mais tranqüilidade e qualidade de vida, visando o bem estar de sua única herdeira Marcelly. Enfatiza emocionada “o momento mais marcante foi o nascimento da minha filha... é uma emoção e uma alegria inexplicável”...
Graduada em letras, formada em direito pela UFMT, perguntamos como é ser professora e advogada, com muita inteligencia e descontração, ela nos surpreende. “Sou uma educadora idealista, realizada, trabalho com amor”. Sua relação com os adolescentes é muito positiva. “Descobri a América”, com 29 anos de magistério seu maior desafio é formar opiniões e grandes cidadãos. Como advogada trato da defesa dos direitos e deveres das pessoas. A advogada e professora têm orgulho em ver excelentes profissionais advogando ao seu lado, professores educando com qualidade e outros profissionais de diversos segmentos mostrando suas habilidades, com segurança, determinação, qualidade e sabedoria. O mais gratificante é quando eles a dizem “você foi fundamental para a mossa formação, marcou as nossas vidas”.
A doutora Janete, advogada há 20 anos, atua na área da família. Diga-se de passagem, é a melhor! Reconhecida pela sua capacidade e ética, recebeu várias homenagens em Pontes e Lacerda. Em Vilhena-RO, recebeu das mãos dos gêmeos Thiago e Gustavo o troféu Personalidades em Evidência, realizado pelo colunista social Waldecy Tergon.
Janete quando está fora de suas funções, não esconde seu lado pessoal e seu jeito de mulher fatal! Romântica (tipicamente por ser do signo de peixes) é bem eclética musicalmente. Apaixonada por MPB, não dispensa uma música sertaneja. Alcione é sua cantora preferida, além de Joana, Gal Costa, Simone e Elis Regina.
Seu livro de cabeceira está sendo o Código da Vida, de Saulo Ramos, uma grande justiça, que relata a história dele e inúmeros casos. Adora literatura brasileira e romances, inclusive já leu todos as obras de Sidney Shel.
Mulher “antenada”. Adora viajar, conhecer novas culturas... Conhece alguns países da América do Sul, ano passado fez um “tour” pelos Estados Unidos e está preparando-se para conhecer a Europa.
É realizada profissionalmente e particularmente em tudo o que fez até hoje, bem resolvida emocionalmente, apesar de estar com o coração aberto para relacionamentos. Adora uma balada com os amigos, não dispensa um bom drinque em companhias saudáveis. Com seus 47 anos bem vividos, define-se que está numa boa idade, com espírito jovial e alto astral é sempre destaque nas rodadas vip´s dos acontecimentos sociais da city.
Ainda têm grandes metas a serem cumpridas. Dentre elas, formar a filha Marcelly que está iniciando faculdade de direito em Cuiabá e escrever um livro que retrata os direito da família, esclarecendo-as na tentativa de termos uma sociedade mais ajustada. Família é a base de tudo, é o pilar para uma boa formação. Seguir os ensinamentos dos pais, voltar-se para os valores familiares é de fundamental importância.
Janete encerra nosso Kara a Kara falando para os jovens. “Os jovens precisam pensar mais no SER e não no TER, eles sempre buscam grandes descobertas, porém... muitas vezes os caminhos que eles optam são caminhos temerosos. é preciso obedever aos pais, buscar uma religião, doutrinar-se espiritualmente, existe um ser supremo, e devemos nos amparar a ele. Os jovens precisam ter lealdade com ética e limites. ter responsabilidade com sensatez”.
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