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Por TM NOTÍCIAS

A crise enfrentada pelo setor leiteiro no oeste de Mato Grosso voltou a gerar tensão nesta segunda-feira (02/02). Produtores rurais da comunidade Imbé, situada na região de divisa entre os municípios de Araputanga e São José dos Quatro Marcos, realizaram um protesto para cobrar o pagamento de valores atrasados há mais de quatro meses pela entrega de leite à indústria compradora. 

A manifestação ocorreu em uma propriedade rural da comunidade. Durante o ato, um caminhão utilizado no transporte da produção foi mantido no local como forma de pressionar a empresa responsável pelos pagamentos. Segundo os produtores, a decisão foi tomada após diversas tentativas de negociação sem sucesso, incluindo contatos diretos e cobranças reiteradas ao longo dos últimos meses.

De acordo com os produtores, o atraso nos repasses tem causado sérios prejuízos financeiros. Muitos relatam dificuldades para arcar com custos básicos da atividade, como ração animal, medicamentos veterinários, energia elétrica e manutenção das propriedades. Além disso, afirmam que a situação compromete diretamente a renda familiar, já que a produção leiteira é a principal — e em muitos casos a única — fonte de sustento.

A Polícia Civil foi acionada após a constatação de que a medida adotada pelos produtores não estava em conformidade com a legislação. Segundo o delegado de Polícia Dr. Kairo Ribeiro Batista, ainda que motivada por eventual crédito legítimo, a retenção de veículo como forma de cobrança extrajudicial ultrapassa os limites da legalidade. “A insatisfação com dívidas não pode justificar ações à margem da lei. O Estado de Direito oferece os meios legais para cobrança – e não a retenção de bens de terceiros”, afirmou o delegado.

Este não é um episódio isolado. Trata-se da segunda manifestação envolvendo produtores que comercializam leite com a indústria Laticínio Vencedor. Em novembro de 2025, um grupo de produtores chegou a montar acampamento em frente à unidade da empresa, em São José dos Quatro Marcos, também em protesto contra atrasos nos pagamentos.

A recorrência das manifestações evidencia o agravamento da crise no setor leiteiro regional, que enfrenta não apenas dificuldades relacionadas a custos de produção e preços praticados no mercado, mas também problemas de liquidez e inadimplência. Produtores cobram uma solução definitiva e afirmam que, sem a regularização dos pagamentos, a continuidade da atividade no campo fica cada vez mais ameaçada.