A região passou a ser dominada pela organização criminosa Comando Vermelho. Forças de segurança mantêm operação permanente para expulsar invasores.
O Ministério Público Federal (MPF) negou, por unanimidade, acordo com um garimpeiro investigado pela Polícia Federal por suspeita de continuar explorando minério na Terra Indígena Sararé, em Pontes e Lacerda, no oeste de Mato Grosso. A decisão foi publicada nesta quinta-feira (26).
Segundo o MPF, as atividades ilícitas na área são recorrentes, mesmo após sucessivas operações policiais e confrontos com invasores. Para o órgão, a gravidade e a continuidade dos crimes impedem a celebração de acordo.
Na decisão, o Ministério Público destacou que, apesar do alto investimento de recursos públicos em ações de fiscalização, o garimpo ilegal persiste na região. O órgão apontou maior reprovabilidade das condutas diante da reincidência das práticas criminosas.


A Defensoria Pública da União (DPU) também se manifestou contra eventual acordo, citando a gravidade dos danos ambientais e a estrutura organizada da atividade ilegal identificada durante a “Operação Incursão Sararé IV”.
A Terra Indígena Sararé é considerada uma das mais impactadas pelo garimpo na Amazônia Legal. Segundo as forças de segurança, a partir de 2024 a região passou a sofrer influência direta de organização criminosa.
Nesta semana, a Polícia Federal também realizou operação contra fazendeiros suspeitos de vender combustível para abastecer o garimpo ilegal na área. De acordo com as investigações, o grupo teria movimentado mais de R$ 26 milhões em 21 meses.
Denúncias e impacto nas comunidades
A presença do garimpo ilegal e de facções criminosas tem afetado diretamente as comunidades indígenas. Lideranças da etnia Nambikwara Katitaurlu denunciaram aumento da violência, tráfico de drogas e degradação ambiental na região.
Segundo relatos, o desmatamento compromete recursos naturais utilizados na alimentação e na medicina tradicional das aldeias.
Dados do Ministério dos Povos Indígenas indicam que operações integradas já destruíram mais de 460 escavadeiras desde 2023, além de motores e estruturas de apoio logístico. A ação de desintrusão, coordenada por órgãos federais e estaduais, segue sem prazo para encerramento.
Dos 67 mil hectares da Terra Indígena Sararé, mais de três mil já foram devastados pela exploração ilegal de ouro.
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