Fonte: Jonatas Boni

As principais culturas agrícolas de Mato Grosso tiveram aumento em abril deste ano no custo de produção, de acordo com boletim divulgado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar MT), por meio do Projeto CPA-MT – Custo de Produção Agropecuária. Os custos da soja, milho e algodão para a safra 26/27 foram pressionados principalmente pela alta nos fertilizantes, defensivos agrícolas e pelas incertezas do cenário internacional desde março.
Segundo os dados do CPA-MT, o custeio da soja para a safra 2026/27 foi projetado em R$ 4.286,89 por hectare, alta de 1,88% em relação a março deste ano. O principal fator desse aumento foi a elevação das despesas com fertilizantes, que cresceram 2.733,09%, enquanto os custos com defensivos agrícolas avançaram 2,17%.
O levantamento aponta que a aquisição de insumos para a próxima safra ainda está em andamento, o que mantém o custo de produção como um dos principais pontos de atenção para o produtor rural neste momento.

Já o milho foi a cultura com maior aumento de custo em Mato Grosso. Na comparação com março, o projeto CPA-MT apontou crescimento de 2,32% no custeio da safra 2026/27, impulsionado pela alta de 4,30% nos fertilizantes e corretivos, e de 2,46% nos defensivos agrícolas. Também houve elevação nos custos com sementes.
De acordo com o boletim, o ambiente internacional mais instável elevou a volatilidade nos mercados e impactou diretamente os preços futuros dos insumos importados utilizados na produção de milho. Com isso, o Custo Operacional Efetivo (COE) do grão apresentou incremento de 1,72% no comparativo mensal, enquanto o Custo Total (CT) avançou 1,25%.
O algodão foi outra cultura afetada, que passou a exigir preço mínimo de R$ 127 por arroba para cobrir Custo Operacional Efetivo. Em abril deste ano, o custeio da safra 2026/27 em Mato Grosso foi estimado em R$ 10.642,28 por hectare, avanço de 1,05% no comparativo com março.
Conforme destacado pelo CPA-MT, a alta da pluma foi puxada pelos custos com macronutrientes, motivados pelas tensões no mercado internacional. Com isso, o COE do algodão ficou projetado em R$ 15.227,56 por hectare, aumento de 0,55% no mês.

O boletim publicado na segunda-feira traz ainda um dado que chama atenção do mercado: considerando a produtividade média estimada em 119,82 arrobas por hectare de pluma, o produtor precisará vender o algodão a pelo menos R$ 127,09 por arroba apenas para cobrir o custo operacional efetivo da produção.

